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Família bilionária britânica trava batalha pelo controlo de uma das maiores empresas de água da Ucrânia
Depois da invasão russa, em fevereiro de 2022, as autoridades ucranianas congelaram os ativos da IDS Ukraine, empresa associada a investidores russos.
A guerra judicial coloca de um lado a família Patarkatsishvili, que herdou uma participação de 34% na IDS Ukraine (uma das principais produtoras de água mineral engarrafada da Ucrânia) e do outro as autoridades de Kyiv.
A informação é avançada esta segunda-feira pelo jornal britânico The Guardian que dá conta que a batalha travada pelo Estado ucraniano tem em vista garantir o controlo de um negócio considerado estratégico num país em guerra.
De acordo com a publicação britância, depois da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, as autoridades ucranianas congelaram os ativos da IDS Ukraine, empresa que está associada a investidores russos. Entre eles está Mikhail Fridman, fundador do Alfa Group e uma das figuras empresariais russas sancionadas pelo Ocidente devido às suas ligações ao regime de Vladimir Putin.
A Agência Ucraniana de Recuperação e Gestão de Ativos (ARMA) teve como missão encontrar uma entidade independente para gerir a empresa. Mas o processo, segundo a presidente, Yaroslava Maksymenko, tem vindo a ser bloqueado por questões legais e burocráticas.
O The Guardian explica que Maksymenko acusou os acionistas da IDS Ukraine de dificultarem a transferência do controlo da empresa e afirma que a ARMA foi alvo de um ciberataque durante uma tentativa de encontrar um novo gestor.
Contudo, avança o jornal britânico, não há provas que liguem o ataque a qualquer dos acionistas e a família Patarkatsishvili não é suspeita do incidente.
Entretanto, a IDS Ukraine considera "simplesmente falsa" qualquer tentativa de associar o ciberataque ao grupo e diz que essa informação é "completamente irrelevante".
A ARMA acusa também o fundo New World Value Fund Limited, através do qual a família detém a sua participação, de fazer acusações sem fundamento contra funcionários da agência.
Maksymenko classificou essas alegações como "desinformação". Ainda está em curso uma investigação levada a cabo pelo Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia.
As autoridades dizem estar ainda preocupadas com o risco de lavagem de dinheiro ou de retirada de valor da empresa enquanto esta permanecer sob a atual gestão. Até agora, porém, não existe qualquer conclusão oficial que confirme a existência desses crimes.
A batalha já chegou aos tribunais ucranianos. O Tribunal Superior Anticorrupção analisa processos relacionados com as tentativas do Estado de nacionalizar parte ou a totalidade da IDS Ukraine.
Mas a família Patarkatsishvili rejeita todas as acusações e afirma apoiar a Ucrânia desde o início da invasão russa.
"A família Patarkatsishvili acredita firmemente que nenhum ativo deve ser retirado de acionistas não sancionados contra os quais não haja alegações ou preocupações", afirmou um porta-voz.
Os herdeiros dizem estar preparados para recorrer aos tribunais internacionais caso não obtenham uma decisão favorável na Ucrânia.
A IDS Ukraine rejeita igualmente qualquer suspeita de irregularidades.
A empresa garante que sempre cumpriu a legislação ucraniana e afirma que nenhuma autoridade competente encontrou indícios de lavagem de dinheiro ou retirada ilegal de fundos.
A participação na IDS Ukraine chegou à família após a morte de Badri Patarkatsishvili, empresário georgiano que fez fortuna durante a dissolução da União Soviética. Patarkatsishvili mudou-se para o Reino Unido em 2007 e morreu no ano seguinte, aos 52 anos, vítima de um ataque cardíaco. A sua fortuna estava então avaliada em cerca de seis mil milhões de libras.
Uma das herdeiras, Liana Patarkatsishvili, está ligada ao setor do teatro britânico. No verão do ano passado, produziu "Storehouse", um espetáculo imersivo sobre desinformação que contou com os atores Toby Jones e Meera Syal.